Mostrando postagens com marcador Geografia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Geografia. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 23 de junho de 2011

O mapa das redes sociais e do Twitter


 
Veja no mapa acima a evolução das redes sociais pelo planeta entre junho 2009 e junho de 2011. É facilmente perceptível a grande expansão do facebook por diversos países do planeta. O fenômeno facebook parece ter apenas um último foco de resistência que a forte presença de usuários do orkut no Brasil. É bem verdade que a Índia engrossava essa resistência até 2009, mas, no gráfico atualizado de 2011 nota-se que também esse país se rendeu a rede idealizada pro Mark Zuckerberg. Um interessante pode ser encontrado no Blog Brasil Acadêmico, onde o autor destaca uma interessante disputa entre o Google e o Facebook e a perda de espaço do primeiro para o segundo. Há o questionamento da derrocada da hiperhegemonia do Google, mas, por outro lado, uma certa censura do facebook, principalmente, a hackers e apoiadores do WikiLeaks. Com relação as redes sociais nota-se que elas seguem aumentando de dezembro de 2010 a junho de 2011, mesmo que tenha havido uma certa estagnação da expansão do facebook ainda existem áreas que não contam com forte presença de redes sociais, e a rede Zuckerberg começou a conquistar os usuários africanos.
   Outra rede que tem ganho bastante espaço, principalmente no Brasil, é o serviço de microblog Twitter. Fortemente utilizados por jovens e adolescentes o twitter tem uma grande participação mundial em número de usuários e no percentual da linguagem falada pelos usuários. Algumas informações mais precisas podem ser encontradas no blog Profissional de Midia Online, abaixo reproduzimos um mapa publicado nesse texto que representa um atual distribuição do uso do twitter em uma escala global.


   O objetivo de post é demonstrar que é possível mapear os avanços das redes sociais pelo espaço físico material e territorial. Esse tipo de planisfério nos ajuda a entender como se dão as disputas de poder entre os grandes tubarões do ciberespaço, assim como anos atrás os bastiões do capitalismo se reinventavam, hoje esse processo se acelera assustadoramente. A disseminação de uma ou outra rede social, mais que ditar tendências reinventa a forma de se reproduzir do capitalismo. Mas, por outro lado, o papel das redes sociais e sua crescente aceitação faz com que se tornem ferramentas altamente úteis para o desenvolvimento cognisivo e intelectual dos usuários que não se limitam a clicar botões apenas e as desbravam com o intuito de tirar o máximo que elas podem oferecer. Apesar do caráter fechado do facebook, principalmente, em termos de censura, penso que a funcionalidade de suas ferramentas são o grande diferencial de outras, principalmente o Orkut, e isso se expressa nas diversas formas de participação que o usuário pode optar para desenvolver, sugerir ou participar, sempre, deixando essa decisão a critério do usuário, um grande trunfo.

domingo, 1 de maio de 2011

Geopolítica do Futebol... O JOGO DA MORTE!

Claro que a imagem aí do lado já denuncia sobre o que post quer tratar. Mas, primeiro vamos dar o devidos créditos ao autor. A matéria foi um achado, saiu em O Globo de sábado e é assinado pelo jornalista Renato Grandelle. Confira a matéria na íntegra clicando aqui. Claro o autor aproveitou toda a atmosfera criada a partir da realização do clássico de principal rivalidade no Rio de Janeiro para decidir a Copa Rio, e como aconteceu acabou decidindo o Campeonato Carioca 2011, já que o Flamengo venceu o Vasco da Gama nas cobranças de penalidades. Coincidência ou não, Grandelle poderia também fazer a referência a realização de um Palmeiras e Corinthians, vencido pelo alvinegro também nos penâltis e do Grenal 385, que valia o segundo turno do Gauchão 2011, mas, caso o Grêmio vencesse o jogo estaria terminado o campeonato, por ter ganhado o primeiro turno, mas, ao contrário do Rio de Janeiro, o Inter acabou vencendo nas penalidades e adiando a decisão do título para mais 2 grenais. Digo isso, porque se o Vasco X Flamengo desse domingo inspirou Grandelle a discutir e trazer um trabalho fantástico sobre o que seria efetivamente o "Jogo da Morte". Grandelle conta a história de um embate entre ucranianos e alemães, mas, que também poderia ter como fonte de inspiração os outros 2 clássicos citados. A matéria conta a tensão existente entre o comando nazista que existia em Kiev, capital da Ucrânia, e a população que era abertamente simpática ao socialismo soviético. Tudo começa com a história de 2 personagens centrais: Erich Koch e Otto Schmidt. O primeiro conhecido pelo seu comando a punhos de ferro e de alta confiança do Reich e responsável pela chacina de milhares de ucranianos, o segundo apesar de ter nascido na Ucrânia era alemão e tinha um trato mais cordial com a população ucraniana. Aproveitando-se do fato de que as disputas esportivas haviam sido abolidas na Ucrânia Schmidt convenceu Koch que um torneio de futebol poderia amenizar a rebeldia dos ucranianos. O torneio aconteceu e teve como final o enfrentamento entre ucranianos e alemães e os donos da casa venceram por 5x3. Ocorre que com o avanço dos socialistas e a retirada de Koch e suas tropas nazistas os participantes do Jogo da Morte foram presos pelos soviéticos que então retomaram Kiev pela acusação de colaboração com os nazistas. Só que ao invés da setença de morte os boleiros foram elevados a heróis e então se criou o mito como nos conta Grandelle. É claro que essa história poderia ser apenas mais uma em tantas que mostram superação de equipes mais fracas com equipes mais fortes mas observem o papel geograficamente estratégico de Kiev na zona fronteiriça entre nazistas e soviéticos no mapa.

Mapa do Nazismo na Europa

Como é possível perceber no mapa a Ucrânia e sua capital, Kiev, foram decisivas para a contenção do nazismo e a retomada de Kiev pelos soviéticos. A história conta o resto e como os soviéticos com um exército de soldados mal equipados e mal alimentados conseguiu vencer o super exército de Hitler, e agora sabemos que também o futebol tem os reflexos dessa disputa geopolítica que marcou o final da primeira metade do século XX.
Claro que por mais que essa história de Grandelle tenha nítidos enlaces com os jogos decisivos marcados para esse domingo jamais se imagina que partidas de futebol tenham desfechos trágicos como essa batalha de Kiev. Antes de comentar 2 fatos que estimularam esse fato quero apenas me explicar. Em outro post afirmei minha opinião de que o futebol não pode ser transformado em um espetáculo teatral elitizado, pois, é fonte potencial de identidade de grupos sociais, mas, com isso não queria dizer que torcedores e jogadores deveriam sair distribuindo porrada em todos os jogos, aliás, como temos visto como muita freqüência nos últimos dias (Avaí x Botafogo; Argentinos Jrs. x Fluminense; Real Madrid x Barcelona). O fato voltou a se repetir nesse domingo em outro desses Jogos da Morte, semi-final do campeonato goiano Goiás x Vila Nova um clássico, veja as imagens deprimentes no vídeo abaixo.




Esse fato somou-se a minha intenção de já ter postado sobre um programa que repercutiu e teve grande audiência lá no Rio Grande do Sul. Ele foi ao ar na TV COM, canal UHF da RBS TV na última sexta-feira dia 29/04. Mas, o que isso tem haver com os “Jogos da Morte”? É claro como já falei hoje era um domingo de debys pelo país inteiro, e no RS haveria o Gre-Nal que poderia decidir o campeonato. Muito se fala da rivalidade entre Grêmio e Internacional e de que talvez seja uma das maiores do planeta. Recentemente os dois clubes optaram por recrutar 2 ídolos que fizeram história nos gramados nos anos 70 e 80 para comandar as equipes agora da casamata. Renato Portaluppi e Paulo Roberto Falcão são os comandantes das atuais equipes de Grêmio e Internacional, mais um combustível na rivalidade acirrada dos pampas. Todos os elementos que pareciam apontar para uma batalha campal como as já citadas, foram muito bem trabalhadas de forma preventiva com o referido programa. A idéia foi fantástica, os 2 ídolos frente a frente antes do Gre-Nal, um programa de alta qualidade, que teve desdobramentos em um clássico sem confusões, sem conflito entre as torcidas, um jogo de paz, mostrando que tratar jogo como guerra não quer dizer agredir o adversário, que confronto de torcida tem que ser pra ver quem canta mais alto, enfim, foi o que se viu no Beira-Rio hoje. Ainda haverão mais 2 clássicos pelo campeonato gaúcho e ainda paira a preocupação com a paz, mas, com esse programa é bem possível que o resultado perdure ainda por bom tempo, numa clara demonstração que rivalidade, inclusive a maior de todas, pode existir sem violência. Abaixo os vídeos do programa Painel RBS na íntegra.

1.º Bloco

2.º Bloco


3.º Bloco

4.º Bloco

domingo, 24 de abril de 2011

Geopolítica do futebol... Celtic X Rangers

É incrível como cada vez mais percebo a relação entre geografia e futebol. Dessa vez foi uma relação ligada a geopolítica. Na edição desse domingo (24/04) de O Globo, na página 2 do Cadernos de Esportes está estampada a manchete: "Em Glasgow, tensão no Celtic x Rangers: forças de segurança temem confrontos torcedores católicos e protestantes". Os 2 times a que se refere a reportagem, assinada pelo correspondente em Londres Fernando Duarte, disputam o campeonato escocês. Um problema que sempre foi associado a República da Irlanda (Eire) parece ter ganhado vitalidade no país dos kilts e do whisky, tudo por conta de um fluxo migratório de irlandeses católicos, após o século XVII, conforme conta Duarte. O conflito chega ao futebol onde o Celtic apresenta sua maioria de torcedores católicos, e nos jogos empunha bandeiras da Irlanda, e o o Rangers de maioria protestante onde os torcedores levam bandeiras do Reino Unido, defendendo a subordinação a Grã-Bretanha. Ainda, segundo Duarte, a tensão se agrava devido ao fato de o Celtic ter vencido a Copa da Escócia contra o Rangers, e após ao jogo várias brigas no entorno do estádio, também, pacotes bombas foram enviados ao treinador do Celtic e a um deputado trabalhista, assumidamente torcedor do Celtic. A tensão de hoje, o jogo já deve estar acontecendo, está na situação da tabela, o Rangers lidera o campeonato, faltando cinco rodadas para o fim, com 80 pontos, apenas 1 a mais que o Celtic, ou seja, decide o campeonado. Como podemos perceber questão geopolíticas não se restringem ao conflito militar e aos parlamentos, se estendem por todos os segmentos da sociedade, e esse confronto é uma mostra de como o futebol, em tempos contemporâneos, capitaneia de maneira muito eficiente essas questões. Por mais que comentaristas e a mídia em geral queiram tranformar o futebol em um "espetáculo" como o teatro, elitizado, o que percebemos é cada vez mais uma identificação com clubes que remetem a uma identificação primária (CASTELLS, 2006) como religião, lugar, etc... Poderia citar aqui mais 2 exemplos que me vem de imediato o Atlhetic de Bilbao, sediado no país Basco, e o Chivas Guadalajara, do México, onde não se aceitam atletas de outras nacionalidades. É nítido que o futebol está muito mais para um elemento ratificador de identidades do que para se tornar um "espetáculo" neutro sem rivalidades, sem referenciais de lugar, de religião, de etnia. Em um futuro bem próximo pretendo aprofundar esses estudos e tentar aproximar essa relação entre futebol e geografia. Só pra voltar a questão do futebol a partida em questão ficou 0x0, com direito ao Celtic perder um penalti aos 82 minutos do jogo (veja o vídeo aqui), ou seja, faltando 4 rodadas pro fim do campeonato escocês segue o Rangers com 1 ponto a frente do Celtic. A propósito, como tenho abordado vários temas, vou tentar estabelecer um cronograma, onde cada dia da semana o post será dedicado a um tema específico. Claro no domingo o tema será futebol.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Filmes para sala de aula (4)

Amazônia em Chamas (1994)
Título Original: The Burning Season
Gênero: Biografia, Drama
Duração: 123 minutos

Estrelando: Raul Julia, Carmen Argenziano, Sonia Braga


Saudoso Raul Julia, esteve perfeito interpretando o sindicalista Chico Mendes. A primeira vez que assisti Amazônia em Chamas foi em uma sessão que o DAGEO (Diretório Acadêmico de Geografia) lá da UFSM, do qual eu viria a ser o futuro presidente, promoveu. Haviam filmes toda semana como uma forma de passar o tempo do intervalo da manhã para tarde, mas, principalmente porque era uma forma de complementar nossa formação, já que quase sempre eram filmes engajados ou reflexivos que terminavam sempre com um debate. Filme marcante, em que se pode trabalhar com Geografia do Brasil e Geografia Regional, ajuda  a compreender a extensão da fronteira agrícola para a Amazônia, mas também constrói uma ótima lição de organização sindical, de como o poder político e econômico subjugam trabalhadores. A fotografia e o cenário retratam fielmente o clima equatorial da região norte do país. Em uma busca pelo ciberespaço para localizar o filme não tive sucesso, como tinha uma cópia em DVD do filme arregacei as mangas pra poder disponibilizar pra vocês. A qualidade do vídeo é bem precária mas dá pra assistir tranquilamente e pela raridade que é, ao menos em termos de web, acho que vale a pena. A questão é a seguinte servidores gratuitos só recebem arquivos com tamanho limitado, então o filme está compacto em formato rar basta extrair o arquivo iso queimar em um DVD ou emular com o Daemon Tools. Persistindo dúvidas deixe um pitaco ou mande um e-mail.
Amazônia em Chamas

domingo, 10 de abril de 2011

Filmes para sala de aula (3)


Apocalypto (2006)
Título Original: Apocalypto
Gênero: Drama, Ação, Aventura
Duração: 139 minutos
Diretor: Mel Gibson

Apocalypto é um excelente filme para trabalhar os povos pré-colombianos na disciplina de Geografia da América Latina. A decadência das cidades-estado dos Maias é retratada através das formas de organização social. O alto clero maia acredita que só a ajuda divina pode livrá-los da ruína. Lavouras de milho perdidas para a seca, pragas, doenças população pobre dominada pelo trabalho compulsório para a construção de templos destinados a sacrifícios que tinham por objetivo saciar a sede do seu Deus. Pode-se perceber também no filme a distribuição das populações tal como relata o historiador Ciro Flamarion Cardoso, aglomerações e núcleos urbanos em alguns pontos, e pequenas comunidades coletoras vivendo da floresta em uma área que correspondia a mais de 90% do território latino-americano. No melhor estilo Mel Gibson os atores atuam com a língua maia e a fotografia e cenário levam o telespectador de volta ao século XVI. Claro também a história do filme. Jaguar Paw protagonizado por Rudy Youngblood é filho do cacique de sua tribo arrasada pelos maias e um dos poucos sobreviventes que são levados para o sacrifício. Apocalypto além do seu aspecto didático é uma aventura contagiante que nos prende em frente a tela até que chegue o final. Quem ainda não assistiu ou está pensando em trabalhar com o filme pode encontrar clicando aqui em Apocalypto.

quarta-feira, 30 de março de 2011

As maiores cidades do interior do Brasil

Após o Censo 2010 realizado pelo IBGE houveram algumas alterações na distribuição das cidades mais populosas do interior do Brasil. A seguir algumas informações sobre as 20 mais populosas do interior brasileiro. O critério utilizado exclui do ranking as cidades que compõem as regiões metropolitanas das capitais de Estado, por isso não aparecem cidades como Santo André e Niterói. Essa relação mostra tendências de melhor distribuição geográfica de recursos e mercados em Estados como São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e de concentração espacial em áreas metropolitanas como Bahia, Rio de Janeiro, Goiás. O que estou dizendo é que quanto maior o número de cidade interioranas consideradas grandes mais evidenciamos que o interior do Estado não fica dependente da capital, o que, ao contrário, quando não existem essas cidades ou são poucas no interior, é porque há um forte papel concentrador das áreas metropolitanas.

1.º Campinas                                                     
São Paulo
População 1.080.999 habitantes
Campinas é uma dessas grandes cidades interioranas que eu ainda não pude conhecer, goza o status de maior cidade do interior brasileiro e unica que apresenta população superior a 1 milhão de habitantes. Cidade universitária pela presença da UNICAMP e de várias outras como também de centros de pesquisa, mas também de produção de alta tecnologia, sendo considerada a capital do Vale do Silício Brasileiro é a 10.ª cidade mais rica do Brasil por conta de seu PIB de 27,1 bilhões de reais o que representa 0,96% do PIB brasileiro.

2.º São José dos Campos
São Paulo
População 627.544 habitantes
A cidade de São José dos Campos é considerada um dos tecnopólos brasileiros devido a sua produção de alta tecnologia de material bélico, no setor metalúrgico e por sede do maior complexo aeroespacial da América Latina. Além de importantes centros de pesquisa como INPE, estão instaladas em São José dos Campos empresas como: Panasonic, Johnson & Johnson, General Motors, Petrobrás, Ericsson, Monsanto, EMBRAER. Apresenta a 21.º maior participação no PIB brasileiro com 20, 7 bilhões de reais.

3.º Ribeirão Preto
São Paulo
População 605.114 habitantes
Ribeirão Preto hegemoniza uma macrorregião do Estado de São Paulo que é conhecida como a Califórnia Brasileira, denominação atribuída em função a similaridade das produções agrícola, industrial e da diversidade econômica com a região estadunidense. Além  do papel desempenhado na região do interior paulista, apresenta uma grande articulação com municípios mineiros, como Poços de Calda, Uberaba e Uberlândia, que é facilitada por uma fluída malha rodoviária que garante o acesso a diversas cidades. Entre as principais empresas instaladas em Ribeirão Preto destacam-se a Nestlé, a 3M, Microsoft, Tefónica, Embratel.


4.º Uberlândia
Minas Gerais
População 600.285 habitantes
Cidade que tive o prazer de conhecer ao prestar concurso para docente da UFU em 2008. Fiquei impressionado com a qualidade do transporte público, referência em todo o Brasil, com um terminal de integração bastante diversificado em termos de lazer e compras com ampla praça de alimentação que lota aos fins de tarde. Na área do lazer a cidade também conta o Complexo do Parque do Sabiá uma área enorme com grande arborização, zoológico, piscinas, pista para caminhada, aquário e área para desenvolvimento de psicultura, e onde também se localiza o Estádio João Havelange, também conhecido como Parque do Sabiá. Importante pólo econômico e cultural na região conhecida como Triângulo Mineiro, Uberlândia ganha destaque por fazer divisa com Goiás e São Paulo e também por ser um importante contribuinte do PIB brasileiro, é o 27.º, com 14,3 bilhões de reais.

5.º Sorocaba
São Paulo 
População 581.311 habitantes
A cidade de Sorocaba está localizada no sudeste do Estado de São Paulo. É muito reconhecida por ser um das mais fortes mercados consumidores do Estado e do País devido a sua alta renda per capita, 2,4 mil dólares para população urbana e 917 dólares para a população rural. A história de Sorocaba está estreitamente ligada ao surgimento e expansão da ferrovia no Brasil. A larga produção de algodão fez com que o maior comprador da matéria-prima construisse em 1870 a famosa Estrada de Ferro Sorocabana que seria responsável pelo surto de desenvolvimento industrial da região. Com uma contribuição de 13,1 bilhão de reais Sorocaba é o 30.º maior contribuinte do PIB brasileiro.

6.º Feira de Santana
Bahia
População 556.756 habitantes
Feira de Santana, no nordeste baiano, é a primeira cidade de fora da região sudeste a figurar entre as mais populosas do interior do Brasil, consequentemente a maior do interior nordestino. Importante por ser importante entroncamento rodoviário que articula as BRs 101, 116 e 324, Feira de Santana também se destaca com uma referência cultural no interior, na cidade além da ocorrência da primeira micareta do Brasil, também está o berço de famosos escritores poetas como: Godofredo Filho e Frederico Alves. Importante pólo industrial do Recôncavo Baiano tem instalações de indústrias de base, químicas e automobilísticas, atualmente também está para receber indústrias de tecnologias de informação.  Feira de Santana recebe muitas indústrias por conta das políticas de incentivos fiscais e por conta dos baixos salários pagos a trabalhadores baianos, se comparados com os de sul e sudeste. Apesar de sua renda per capita de R$ 9.005,24 é apenas o 82.º em contribuição do PIB brasileiro.

7.º Juiz de Fora
Minas Gerais
População 517.872 habitantes
Cidade dom forte característica universitária, Juiz de Fora confirma a tendência de uma significativa descentralização da hierarquia urbana e regional do Estado de Minas Gerais. Atualmente é um dos principais pólos industriais, culturais e de serviços de Minas Gerais. Foi chamada de "Manchester Mineira" à época em que seu pioneirismo na industrialização que a fez a cidade mais importante do Estado. Sua área de influência estende-se por toda a Zona da Mata, uma pequena parte do sul de Minas e também da região do central do Estado do Rio de Janeiro. Com 7,1 bilhão de reais é o 54.º contribuinte do PIB brasileiro.

8.º Joinville
Santa Catarina
População 515.250 habitantes
Importante pólo industrial do Estado de Santa Catarina, Joinville apresenta uma grande particularidade desse Estado, é o único que tem uma cidade do interior mais populosa do que a capital, Florianópolis possui apenas 421.203 habitantes. Na economia a cidade do nordeste catarinense é destaque no setor metal-mecânico sendo o maior do Brasil. Joinville é a terceira maior cidade da região sul, mas, mantém boa qualidade de vida sendo o 13.º maior IDH no Brasil (0,857). Joinville, cidade de colonização alemã, apresenta grande infra-estrutura de transportes principalmente com relação aos rodoviários e de aeroportos. Culturalmente é conhecida por vários eventos, onde destaca-se o Festival de Dança de Joinville, conhecido em todo mundo. Grande contribuinte do PIB brasileiro (28.º), Joinville participa com 13,2 bilhões de reais.

9.º Londrina
Paraná
População 506.645 habitantes
Terra da minha amiga Márcia Siqueira, Londrina vem tendo alguns problemas com a dengue e a saúde pública. Quarta cidade mais populosa da região sul, Londrina contribui para a afirmação de Estados mais descentralizados, na hierarquia urbana, presentes no sul do Brasil. Conhecida como cidade do café devido ao seu desenvolvimento ter sido fortemente impulsionado por esta atividade, também forjou um povo acostumado ao hibridismo cultural com a presença de outros povos na construção de Londrina, como ingleses, italianos, japoneses e alemães. Com uma contribuição de 8 bilhões de reais é o 44.º maior contribuinte no PIB brasileiro.

10.º Campos dos Goytacazes
Rio de Janeiro
População 463.545 habitantes
Eis que surge minha atual cidade de residência. Morando a quase 3 anos em Campos já consegui acumular algumas informações sobre a cidade. Lugar de grandes lagoas e brejos abrigava em tempos pré-cabralinos os índios goytacaz que dificultaram e muito a ocupação portuguesa. Contemplada com volumosos royalties do petróleo da Bacia de Campos e com os que virão do pré-sal, Campos não apresenta uma infra-estrutura urbana condizente com seu PIB de 29,1 bilhões de reais, sendo o 12.º maior do Brasil. Campos apresenta dois centros comerciais. O primeiro se desenvolveu as margens do Rio Paraíba onde hoje estão a Catedral São Salvador, a praça de mesmo nome e diversificadíssimo comércio popular. O segundo centro comercial fica no bairro Pelinca onde ao longo da rua de mesma nome se encontra as lojas mais sofisticadas, os shoppings, os bares e restaurantes que tão grande dinamismo na noite campista. Apesar de ter desenvolvido sua economia através da cana-de-açúcar e das usinas de álcool, hoje Campos goza o status de maior produtora de petróleo do Brasil e abriga grande pólo de extração na sua costa litorânea.

11.º Caxias do Sul
Rio Grande do Sul
População 435.482 habitantes


12.º São José do Rio Preto
São Paulo
População 408.435 habitantes


13.º Campina Grande
Paraíba
População 385.276 habitantes


14.º Jundiaí
São Paulo
População 370.251 habitantes


15.º Piracicaba
São Paulo
População 364.872 habitantes


16.º Montes Claros
Minas Gerais
População 361.971 habitantes


17.º Maringá
Paraná
População 357.117 habitantes


18.º Bauru
São Paulo
População 349.929 habitantes


19.º Anápolis
Goiás
População 335.032 habitantes


20.º Pelotas
Rio Grande do Sul
População 327.778 habitantes

sábado, 26 de março de 2011

Série - GEOGRAFIA E FUTEBOL - RS (1)

Bom dia a todos. Há algum tempo venho amadurecendo a idéia de associar futebol e geografia. Claro que existem geógrafos que tratam o tema de maneira bem mais acadêmica como por exemplo o professor Gilmar Mascarenha de Jesus da UERJ, que tem destinado seus esforços para consolidar uma geografia do futebol. Faço essa referência porque minha intenção não é essa. Minha idéia é registrar as cidades pelas quais já passei e que conheço de alguma forma, e dessa forma associar com os clubes de futebol que existem nessas cidades. 
Nada mais lógico do que iniciar pela minha cidade natal, Santa Maria/RS, terra do Inter/SM e do Riograndense.


Santa Maria da Boca do Monte
Também é conhecida como Cidade Cultura ou Coração do Rio Grande do Sul. O primeiro em função da presença da UFSM e também pela grande produção artística na cidade, o segundo pela sua localização geográfica e pelo papel econômico e político que exerce na região central do Estado. Segundo o Censo/2010 do IBGE Santa Maria possui uma população de 261.027 habitantes. A cidade apresenta uma grande população flutuante de estudantes de diversas cidades do RS e do Brasil. A data de aniversário da cidade é no dia 17 de maio de 1858 (152 anos), a cidade surgiu a partir de acampamentos militares que pretendiam estabelecer fronteiras entre as colônias portuguesa e espanhola. Segundo o IBGE, "em 1777, os reinos de Espanha e Portugal firmaram um convênio denominado Tratado Preliminar de Restituições Recíprocas, destinado a demarcar os limites entre suas possessões . Com este objetivo uma comissão mista hispano-portuguesa atingiu, em 1787, o território onde hoje constitui o Município de Santa Maria. Do acampamento, localizado nas proximidades da Vila de Boca do Monte, a expedição demandou o forte espanhol de Santa Tecla, onde se bipartiu a comissão portuguesa, assumindo a chefia da 2 a Subdivisão Demarcadora o Coronel Francisco João Róscio, que prosseguiu até atingir Santo Angelo, em território das Missões Orientais. Em virtude dos desentendimentos havidos com o comissário espanhol, D. Diogo de Albear, os trabalhos de demarcação foram interrompidos, retirando-se João Róscio, de Santo Angelo, e estabelecendo acampamento, em 1797, no arroio dos Ferreiros, onde atualmente se ergue a cidade. Após a retirada da Subdivisão, cinqüenta famílias guaranis, constituídas de índios civilizados, agricultores e operários, procedentes das Missões Orientais, ali se instalaram. ontando com boa posição geográfica, com excelentes pastagens e terras propícias a culturas de cereais, o povoado prosperou e já em 1812, era curato, sob a invocação de Santa Maria da Boca do Monte. A partir de 1828, com a chegada do 28.° Batalhão de Estrangeiros, constituído de alemães assalariados para a luta contra os orientais, intensificou-se o povoamento da região. Vários militares, após a dissolução da tropa, radicaram-se em Santa Maria, atraindo colonos de São Leopoldo e imediações, iniciando-se o ciclo germanico de colonização, que muito influiu para o desenvolvimento da comunidade. Em 1835, Santa Maria apresentava aspectos de progresso e prosperidade; em toda a sua área existiam mais de cem estabelecimentos pastoris. Em 1857, Santa Maria foi elevada a Vila, ocorrendo a instalação do Município em 1858. Adquiriu a Vila, foros de Cidade, em 1876. A população do Município participou de vários acontecimentos históricos nacionais, entre os quais a guerra contra Rosas, a do Paraguai e a Revolução Farroupilha , quando se travou em seu território a batalha da Porteirinha. Formação Administrativa O Distrito foi criado em 17 de novembro de 1837 pela Lei Provincial n.° 6 e o Município, em 16 de dezembro de 1857, pela Lei Provincial n.° 400. Compõem-no os distritos de: Santa Maria, Arroio do Só, Boca do Monte, Camobi, Dilermando de Aguiar, Itaara, Santa Flora, São Martinho e Silveira Martins".
Em Santa Maria existem atualmente 2 times profissionais, Inter/SM e Riograndense. Começo por aquele que tem maiores conquistas.




Fundação: 16 de maio de 1928
Estádio: Presidente Vargas (Baixada Melancólica)
Capacidade: 12.000 lugares
Mascote: Coração
Títulos: Gauchão Série A: Campeão do Interior 1981
              Gauchão Série B: Tri-Campeão 1968; 1991; 1998
              Citadino: 14 vezes campeão
Campanhas: Brasileirão Série A: 1 participação em 1982 - 22.º lugar
                      Brasileirão Série B: 3.º lugar em 1984
                      Torneio Brasil Sul: 3.º lugar 1986
                      Gauchão Série A: 3.º colocado em 1980; 1981 e 2008.


Fundação: 7 de maio de 1912
Estádio: Eucaliptos
Capacidade: 4.000 lugares
Mascote: Periquito
Títulos: Gauchão Série A: Campeão do Interior 1921
              Gauchão Série A: Vice-campeão 1921
              Gauchão Série B: Campeão 1978
              Gauchão Série C: Campeão 2003
              Citadino: 27 vezes campeão
Próxima parada Porto Alegre a capital de todos os gaúchos.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Filmes para sala de aula (2)

Escritores da Liberdade (2007)
Título Original: Freedom Writers
Gênero: Drama
Duração: 123 minutos

Esse é um daqueles filmes que confirmam sua convicção profissional. Antes de se tornar uma referência no mundo acadêmico, eu já havia assistido. Entro em uma locadora sem saber exatamente qual filme locar, leio a sinopse de Freedom Writers e disse vou levar. Minha satisfação só foi maior ao terminar de assistir, com certeza excelente filme. Freedom Writers ou Escritores da Liberdade conta a história de uma jovem professora a sra. Gruwell que inicia sua carreira em uma escola pública que era referência de qualidade em Los Angeles. No entanto com as políticas de inclusão de descendentes de imigrantes e com a falta de habilidade profissional dos professores tradicionais da instituição se cria um território de intenso conflito entre as etnias contempladas. Negros, coreanos, cambodjanos, mexicanos vivem o cotidiano da escola a cada dia apenas esperando sobreviver até o próximo. A falta de perspectiva dos estudantes e o descaso dos professores fazem que a professora Gruwell tenha que se adaptar a realidade e criar novos métodos de ensino e avaliação. O êxito da professora não para de ganhar repercussão na comunidade, no ministério, na imprensa e inclusive internacionalmente. As histórias do adolescentes são contadas revelando todo o problema das gangs étnicas, da perda de amigos mortos pelo conflito, das identidades rígidas em torno da descendência e da necessidade de afirmação social dos grupos que se enfrentam nas ruas, mas, precisam viver pacificamente na escola. Um excelente filme para estimular professores recém-formados, para estarem abertos a criatividade em criar seus próprios métodos de ensino. Mas, também pode ser utilizado para visualizar a multinacionalidade presente no território estadunidense, a questão do preconceito, elementos constituintes da identidade social dos jovens associados a nacionalidade. Enfim, uma excelente dica para trabalhar em aulas de de cursos de licenciatura, mas, também pode ser trabalhado no ensino médio de forma interdisciplinar.
Já assistiu deixa seu pitaco. Ainda não? Dá uma conferida clicando em Escritores da Liberdade. Se você não assiste em inglês, procure as legendas aqui.

Filmes para sala de aula (1)

Território Restrito (2009)
Título Original: Crossing Over
Gênero: Drama
Duração: 113 minutos
Diretor: Wayne Kramer
Estrelando: Harrison Ford, Ashley Judd, Ray Liotta.

Assisti esse filme pela primeira vez em uma Super Estréia de sábado do Telecine, já na nessa sessão não consegui desgrudar da TV. O filme se passa em território estadunidense e mostra histórias simultâneas de imigrantes de várias nacionalidades que lutam para permanecer nesse país. Problemas de fronteira com o México, onde uma trabalhadora depois de deportada morre ao tentar retornar para buscar o filho. A questão da intolerância ao islamismo é abordada  na dissolução compulsória de uma família árabe, em que a filha adolescente de tanto discriminada procura no ciberespaço relações com outros árabes e é acusada de terrorismo. A história de atriz australiana que se prostitui para conquistar o green card, mas, suas relações são com um agente de imigração que lhe promete o visto definitivo. Ela namora um jovem músico judeu, que dribla a imigração com apoio de um rabino ordotoxo e consegue sua permanência nos EUA. Ainda são narradas histórias de um policial iraniano, colega de Harrison Ford, que se revolta com as relações da irmã e um traficante mexicano, da rebeldia de um jovem sul-coreano que presencia um assassinato cometido por seus amigos. Enfim, Território Restrito é um excelente filme, que não acaba com final feliz.
Em sala de aula o fim pode ser trabalhado de múltiplas formas. Pode ser trabalhado ao se discutir Estados Unidos para debater a política de imigração americana, as restrições, o controle, pode-se se discutir o papel dos imigrantes na construção dos EUA. A questão da identidade também pode ser explorada, com personagens que resistem em perder seus referenciais e outros que são completamente absorvidos pelo ideário do Tio Sam. A questão das desigualdades entre EUA e México e todos os problemas de fronteira, coiotes, pobreza, maquiladoras, favelas, etc.
Penso que o filme terá um melhor resultado sendo exibido em cursos de graduação, mas, bem preparado e talvez editado possa ser trabalhado em turmas de ensino médio.
Quem já assistiu e tem uma contribuição, por favor deixe seu pitaco.

Pra quem quiser dar uma conferida, clica aí em  Território Restrito.

terça-feira, 22 de março de 2011

David Harvey e a Condição Pós-Moderna

Ontem demos início aos seminários da disciplina de "Modernização Tecnológica do Espaço Brasileiro". Nesse momento proponho a discussão da terceira parte do livro do geógrafo estadunidense David Harvey, "Condição Pós-Moderna". Abaixo uma palhinha do que está disponível no google books. Infelizmente tivemos alguns percalços em função de aparatos técnicos e falta de energia. O que importa mesmo é que gostei da primeira apresentação, que foi  o que deu pra fazer em meio a tantos transtornos. A discussão a cerca da percepção espaço-temporal como um elemento importante, mas não o único, na transição da modernidade para a pós-modernidade, é perpassada pela necessidade de reconhecer, analisar e interpretar os "vínculos materiais entre os processos políticos-econômicos e processo culturais". Segundo Harvey não sendo realizado esse exame acabamos refém das atribuições do senso-comum para o tempo e para o espaço, e dessa maneira acabamos "naturalizando" nossas concepções espaço-temporais. O autor vai defender uma perspectiva materialista, mas vai flertar com alguns autores do simbolismo como Bordieu e Foucault. Vai comparar e tentar articular a Teoria Social e a Teoria Estética, destacando que a primeira privilegia o tempo em suas formulações, enquanto a outra trabalha na perspectiva de espacializar o tempo. Na sequência o grupo falou dos "espaços e tempos individuais na vida social". Partindo da análise da geografia temporal de Hägerstrand tece sua crítica a falta de explicação aos processos constituição das categorias propostas por este autor, entre elas as trilhas de vida e as conexões. Harvey passa pelas heterotopias de Foucault, pelo habitus de Bordieu, mas foca mesmo suas reflexões nas dimensões espaciais de La producion de l'espace, de Henri Lefebvre. Partindo das dimensões espaciais do vivido (práticas espaciais materiais), do percebido (representações do espaço) e do imaginado (espaços de representação), Harvey procura capturar a complexidade da estrutura da transformação de concepções e práticas espaciais e temporais associando-as, as dimensões, as práticas espaciais que o autor compreende em quatro aspectos, o papel da "fricção da distância", apropriação do espaço, domínio do espaço e produção do espaço. Dessa maneira David Harvey consegue explicar como o espaço e o tempo tornam-se fonte de poder social. Abaixo trechos do livro.



sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

América Latina - BOLÍVIA

Sem dúvida alguma a Bolívia é um dos países mais pobres da América Latina, ao menos da América do Sul. Por outro lado, também, é um dos países onde é possível observar uma das maiores resistências à submissão do modelo moderno colonial imposto pelos espanhóis. Os traços marcantes de costumes e tradições de uma maioria populacional camponesa e indígena, faz com que a homogeneização cultural e a padronização do consumo não sejam predominantes nas cores, hábitos e modos de vida dos bolivianos. A história política da Bolívia é marcada por revoltas e por levantes populares que enfrentam governos que colocam em questão os direitos do povo.
A herança e hegemonia indígena e camponesa trás no bojo da cultura boliviana uma das mais polêmicas práticas sociais e culturais daquele país: a plantação e o consumo da folha de coca. Base de sustento de um grande número de famílias e tradição antiga naquele país, a plantação da folha de coca é muito questionada, principalmente, pelos EUA, por ser matéria-prima para a produção de cocaína. Entretanto, a mesma folha é utilizada para a fabricação de refrigerantes como a cola-cola, e pelos indígenas e camponeses para amenizar os efeitos da altitude e do ar rarefeito nas maiores cotas altimétricas da cordilheira dos Andes.
O papel social da folha de coca é tão importante que permitiu o surgimento de um movimento liderado pelos plantadores, conhecidos como cocaleros. Sempre ativos no cenário social e político da Bolívia os cocaleros conseguiram o máximo de sua representatividade ao eleger Presidente da República Evo Morales. Segundo a Wikipédia, "Juan Evo Morales Ayma (Orinoca, Oruro, 26 de Outubro de 1959) é o atual presidente da Bolívia e líder do movimento esquerdista boliviano cocalero, uma federação de agricultores que tem por tradição o cultivo de coca para atender um costume milenar da nação que é mascar folhas de coca. Evo Morales notabilizou-se ao resistir os esforços desenvolvidos pelo governo dos Estados Unidos da América na substituição do cultivo de coca na província de Chapare por bananas originárias do Brasil. Morales é também líder do partido Movimento para o Socialismo (MAS em língua castelhana) - IPSP (Instrumento Político pela Soberania dos Povos). De origem ameríndia, da etnia aymará, é, junto com Felipe Quispe, um dos indígenas mais famosos da história atual do seu país.Nas eleições presidenciais bolivianas de 2002 Morales ficou em segundo lugar, colocação surpreendente face ao panorama político do país, dominado pelos partidos tradicionais. Nas eleições de Dezembro de 2005 porém, venceu com maioria absoluta, tornando-se o primeiro presidente de origem indígena. Assumiu o poder em 22 de Janeiro de 2006 como o primeiro mandatário boliviano a ser eleito Presidente da República em primeiro turno em mais de trinta anos. Morales é um admirador da ativista indígena guatemalteca Rigoberta Menchú(prêmio nobel da paz em 1992) e de Fidel Castro, este último pela oposição à política norte-americana. Morales propõe que o problema da cocaína seja resolvido do lado do consumo, pois o cultivo da Coca é um património cultural dos povos andinos e parte inseparável da cultura boliviana e sua proibição não pode ser feita através de uma simples regulação estabelecida por uma convenção externa".
Dentre as medidas mais polêmicas do governo de Evo Morales, está a nacionalização do gás natural, principal recurso da Bolívia, que acabou gerando um abalo geopolítico com o governo brasileiro. Isso se deu devido ao fato de tropas do exército boliviano tomares refinarias da Petrobrás e mandarem de volta ao Brasil os trabalhadores da empresa.
Evo Morales apresenta grande afinidade com o presidente venezuelano Hugo Chavez, com quem mantém estreitas relações diplomáticas. Com discursos ásperos contras as iniciativas estadunidenses sobre o continente latinoamericano, junto com Cuba são os mais declarados oposicionistas das políticas globais dos EUA para América Latina, como a ALCA (Área de Livre Comércio das Américas). Essa postura muitas vezes coloca em xeque o governo petista de Lula, pois o mesmo que sempre foi uma referência da classe trabalhadora vem seguindo a risca o receituário do FMI e do Banco Mundial, mas também, adota uma postura diplomática com relação aos vizinhos Bolívia e Venezuela.
O autor Nelson Bacic Olic, em sua proposta de regionalização da América do Sul, considera a Bolívia e o Paraguai com formadores do que chamou de "Região Interior", por não terem saída para o mar. Essa situação mantém uma certa tensão com o Chile, que tomou a única saída para o Oceano Pacífico da Bolívia, na Guerra do Pacífico. A Guerra do Pacífico foi um conflito ocorrido entre 1879 e 1881, confrontando o Chile às forças conjuntas da Bolívia e do Peru. Ao final da guerra o Chile anexou ricas áreas em recursos naturais de ambos os países derrotados. O Peru perdeu a província de Tarapacá e a Bolívia teve de ceder a província de Antofagasta, ficando sem saída soberana para o mar, o que tornou-se uma área de fricção na América do Sul, chegando até os dias atuais, e que é para a Bolívia uma questão nacional (a recuperação do acesso ao oceano Pacífico consta como um objetivo nacional boliviano em sua atual constituição).
Com relação aos aspectos físicos, a Bolívia é um país sem litoral. O ocidente da Bolívia está situado na cordilheira dos Andes, com o pico mais elevado, o Nevado Sajama, a chegar aos 6542 metros. O centro do país é formado por um planalto, o Altiplano, onde vive a maioria dos bolivianos. O leste do país é constituído por terras baixas, e coberto pela floresta úmida da Amazônia. O lago Titicaca situa-se na fronteira entre a Bolívia e o Peru. No ocidente, no departamento de Potosi, encontra-se o Salar de Uyuni, a maior planície de sal do mundo. A região Oriente, a norte e leste, compreende três quintos do território boliviano, é formada por baixas planícies de muitos rios e grandes pântanos. No extremo sul localiza-se o Chaco boliviano, pantanoso na estação chuvosa e semi-desértico nos meses de seca. A nordeste da bacia Titicaca visualizam-se montanhas extremamente altas de 3.000 a 6.500 metros. Notamos que as montanhas de mais altitude caem em ângulos praticamente retos até se transformarem em planícies. Os Andes atingem a Bolívia e se dividem em duas grandes cadeias, a Oriental e a Ocidental. Nota-se que a cordilheira Ocidental é formada por vulcões inativos ou extintos, e suas rochas são formadas de lava vulcânica petrificada. Possui uma altitude de 3.700 metros, com 800 quilômetros de comprimento e 130 de largura. A cordilheira Oriental é composta de diversos tipos de rochas e areia.

Downloads dos trabalhos


Bibliografia disponível no CEFET Campos

CAMARGO, Alfredo José Cavalcanti de. Bolívia : a criação de um novo país a ascensão do poder político autóctone das civilizações pré - colombianas a Evo Morales. Brasília: Fundação Alexandre de Gusmão, 2006. 352 p.
ROCHA, Maurício Santoro; CÂMARA, Marcelo Argenta; SEGABINAZZI, Alessandro. Bolívia : de 1952 ao século XXI. Brasília: FUNAG, 2006. 154 p. (Coleção América do Sul).
GALEANO, Eduardo H. As veias abertas da América Latina . 36 ed. São Paulo: Paz e Terra, 1994. 307 p.
FREYRE, Gilberto. O brasileiro entre os outros hispanos. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1975. lxi, 161 p., il. (Colecao documentos brasileiros : v.168).
BARBOSA, Alexandre de Freitas. A independência dos países da América Latina. São Paulo, 1997. 47 p., il(algumas colors.)(Que história é essa?).
OLIC, Nelson Bacic. Geopolítica da América Latina . São Paulo: Moderna, 1992. 96 p, il. , 21cm. (Coleção polêmica).
CASANOVA, Pablo González. Exploração, colonialismo e luta pela democracia na América Latina. Prefácio de Marcos Roitman Rosenmann; tradução de Ana Carla Lacerda. Petrópolis, RJ: Vozes, 2002. 318p.

Bibliografia sugerida para consulta

HAGE, José A. A.
Bolívia, Brasil e a guerra do gás. Curitiba: Juruá, 2007. 221p.
GUEVARA, Che. O diário do Che na Bolívia. Rio de Janeiro: Record, s/d. 238p.
CASTRO, Moacir W. de.
O libertador: a vida de Simón Bolívar. Rio de Janeiro: Rocco, 1998. 227p.
PERICAS, Luiz B. Che Guevara e a luta revolucionária na Bolívia. São Paulo: Xamã, 2008. 238p.
KLEIN, Hebert S.
Bolívia: do períodopré-incaico à independência. São Paulo: Brasiliense, 2004. 80p.
ANDRADE, Everaldo de Oliveira.
Revoluções na América Latina contemporânea: México, Bolívia e Cuba. São Paulo: Saraiva, 2000. 48p.
COSTA NETO, Canrobert.
Políticas agrárias na Bolívia (1952-1979): reforma ou revolução. São Paulo: Expressão Popular, 2005. 203.

Textos disponíveis no Ciberespaço

http://www.exportaminas.mg.gov.br/pdf/CEXBolivia.pdf
http://www.fup.org.br/dieese3.pdf
http://www.fecomerciomg.org.br/pdfs/comex_estudos_bolivia_unasul.pdf
http://observatorio.iuperj.br/artigos_resenhas/historia_sem_fim.pdf
http://www.cursinhodapoli.org.br/pdfs/sala_prof/crise_do_gas_brasil_bolivia.pdf
http://www2.uel.br/grupo-pesquisa/gepal/segundogepal/marcelo%20argenta%20c%C3%A2mara%20&%20%C3%A1lvaro%20luiz%20heidrich.pdf
http://www.spg.sc.gov.br/menu/destaques/arquivos/Retatorio_de_pesquisa/Bolivia/Informacoes-gerais-Bolivia.pdf

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Explicações....

Caros alunos e leitores, gostaria de explicar que a interrupção das postagens se a vários motivos. Em primeiro lugar devido as festas de fim de ano, a minha ida com a família para conhecer o Farol de São Thomé, que diga-se de passagem adoramos. Em segundo lugar as tarefas intelectuais, leituras, 2 artigos e 1 livro que estão sendo produzidos por mim. E em terceiro as tarefas acadêmicas, seleção para o doutorado, organização do material de aula, organização de minha biblioteca particular, enfim, como podem perceber não é pouca coisa. O bom de tudo isso é que várias idéias vão surgindo, e estou com mil planos para 2009. Com relação a continuidade dos temas entre hoje e amanhã devo estar postando pelo menos mais 3 (Venezuela, Colômbia, Bolívia). Até o fim de semana os outros 4 (Peru-Equador, Chile, Argentina, Brasil) já deverão estar no ar com as respectivas bilbiografias e downloads.
Ah, só pra constar, os visitantes alunos ou não, são muito bem vindos comentários nos posts, pois são eles que estimulam a continuidade do Locale Digital.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

América Latina - CUBA

Por mais polêmico que seja, é inegável que o 1.º de janeiro de 1959 colocou a pequena ilha do Caribe em destaque no cenário político do continente americano. Os protagonistas da experiência socialista na América Latina sem dúvida nenhuma são Fidel Castro e Ernesto "Che" Guevera. Essa duas figuras marcantes da história latinoamericana muitas vezes são colocadas em pontos extremos da opinião pública: heróis ou vilões. Enquetes realizadas por alguns veículos de comunicação apontam ambos com vilões. Mas, o papel desempenhado por ambos a partir da revolução cubana mostra grande simpatia de movimentos sociais pelos revolucionários.
Em quase 50 anos de revolução a política da ilha foi dominado pelo Partido Comunista liderado por Fidel Castro. O regime de político de partido único importado da antiga URSS (União Soviética), com quem estreitou relações durante a Guerra Fria, fato que acabou fazendo com que o governo norte-americano impusse um embargo econômico a ilha. Depois, de mais de 40 anos a frente do Estado cubano, problemas de saúde fazem com que Fidel se afastasse do poder, sendo sucessido pelo seu irmão Raúl Castro, inicialmente de maneira interina e em seguida formalmente, sendo eleito em Assembléia do PC.
Em que pese os atrasos tecnológico e econômico, embora mereçam destaque os avanços na saúde, na educação, nos esportes, fica difícil saber quais seriam as conseqüências de uma abertura econômica na ilha e de uma suspensão do embargo estadunidense a ilha.
A aproximação com o capital internacional, principalmente europeu, fez com que situações de desigualdades sociais se acentuassem em Cuba, principalmente na década de 90, os altos índices de prostituição, a segregação espacial, a partir do estabelecimento de áreas privilegiadas para turismo internacional. Dessa forma, mais do que um regime realmente socialista, o embargo serve ao PC para sustentar seu papel de resistência na América Latina. Entretanto, se houver realmente a extinção das restrições a Cuba, será possível a manutenção do PC no poder? Quais as conseqüências para Cuba com uma transição democrática no país, serão mantidas as conquistas sociais? São questões que se colocam e que merecem alguma reflexão.
Um ótimo texto para conhecer um pouco sobre Cuba, está na wikipédia. Mas, abaixo deixarei algumas referências que poderão ajudar a aprofundar os estudos sobre a ilha, bem como o material do trabalho apresentado pelos alunos do CEFET Campos.











Acima você ve um pouco sobre a bandeira de Cuba e também sobre as características físicas e político administrativa da ilha, clicando nas figuras. Sobre a bandeira de Cuba, pode-se dizer que remonta às guerras independentistas e foi criada por um general da cidade de Cárdenas, provincia de Matanzas, a 19 de maio de 1850. Foi formalmente reconhecida na constituição de 1901. As 3 listas azuis significavam os 3 departamentos em que a ilha estava dividida: Ocidente, central e oriente. As duas riscas brancas representavam a pureza e a justiça dos patriotas libertadores. O triângulo equliátero vermelho simboliza o sangue derramado pelos herois e a estrela solitária, de ponta para cima, representa a união do povo cubano. A geografia física cubana apresenta-se com uma ilha longa e estreita (1200 km desde o Cabo de San António, extremo ocidental, até à Ponta de Maisí, extremo oriental); o largo máximo é de 210km e o mínimo é de 32km. A forma da ilha, orientada de leste para oeste, não permite a existência de rios longos e caudalosos. Entre os mais importantes estão o Cauto, o Toa, o Sagua la Grande, o Zaza e o Canao. Algumas cadeias montanhosas de relativamente pouca elevação, atravessam diversas partes do território da Ilha de Cuba. As mais notáveis são: a Cordilheira de Guaniguanico, no ocidente, a Cordilheira de Guamuhaya, na porção central; o maciço Sagua-Baracoa e a Serra Maestra, no oriente, localizando-se nesta última a maior cota de altitude do país, o Pico Real do Turquino, com 1974m acima do nível do mar. A paisagem é diversa e varia desde o semi-desértico até as florestas tropicais úmidas. A biodiversidade do país é alta e os seus ecossistemas variados estão bem protegidos.

Arquivos dos trabalhos apresentados (texto e slides, respectivamente):





Bibliografia disponível no CEFET Campos:

CASTRO, Fidel. Fidel e a religião: conversas com Frei Betto. 13 ed. São Paulo: Brasiliense, 1986. 381p.
MORAIS, Fernando. A ilha: um reporter brasileiro no país de Fidel Castro. 8ed. São Paulo: Alfa-Omega, 1977. 126p.
VALLADARES, Armando. Contra toda a esperança. 2 ed. São Paulo: Intermundo, 1986. 319p.
VAIL, John J. Fidel Castro. São Paulo: Nova Cultural, 1987. 109p.
ESCOSTEGUY, Jorge. Cuba hoje: 20 anos de revolução. São Paulo: Alfa-Omega, 1978. 177p.
SADER, Emir. A revolução cubana. 5ed. São Paulo: Moderna, 1989. 103p.
HARNECKER, Marta. Cuba: democeacia ou ditadura. São Paulo: Global Gaia, 197-. 307p.
BITTENCOURT, Dilma. Cuba: impressão de um turista. 2 ed. Rio de Janeiro: Revan, 1991. 95p.
GUEVARA, Ernesto. A guerra de guerrilhas. 3 ed. São Paulo: Edições Populares, 1982, 123p.
FURIATI, Cláudia. Fidel Castro: uma biografia consentida. 4 ed. Rio de Janeiro: Revan, 2003. 803p.
SEGRE, Roberto; FORNÉS, Rafael. Arquitetura e urbanismo da Revolução Cubana. São Paulo: Nobel, 1986. 273p.
HERNÁNDEZ, Carmem R. Alfonso. 100 preguntas y respuestas sobre Cuba. 8 ed. Madrid: Pablo de la Torriente, 1999. 139p.
PENTANO FILHO, Rubens. Quem sabe, ensina; quem não sabe, aprende: a educação em Cuba. 2 ed. Campinas, SP: Papirus, 1986. 120p.

Bibliografia sugerida para consulta:

SEGRERA, Francisco Lopez. Cuba cairá? Petrópolis, RJ: Vozes, 1995. 204p.
PORTELA, Fernando Portela. Cuba. São paulo: Ática, 1999. 40p.
SADER, Eder. Por que Cuba? Rio de Janeiro: Revan, 1992. 126p.
GUELLA, Eloy Oswaldo. A verdade sobre Cuba. São Paulo: Loyola, 1992. 132p.
STANLEY, David. Cuba. Lonely Planet, 2008. 504p.
PERONI, Vera. A campanha de alfabetização em Cuba. Porto Alegre: EdUFRGS, 2006. 106p.
GOTT, Richard. Cuba: uma nova história. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2006. 463p.
PERICAS, Luiz Bernardo. Che Guevara e o debate econômico em Cuba. São Paulo: Xamã, 2004. 236p.
PAVESE, João. Nervo exposto de Havana a Santiago de Cuba. São Paulo: Terceiro Nome, 2008. 280p.
LATEL, Brian. Cuba sem Fidel: o regime cubano e seu próximo líder. São Paulo: Novo Conceito, 2008. 352p.

Textos disponíveis na ciberespaço:

http://www.amerindia.ufc.br/pdf2/mario.pdf
http://geocities.yahoo.com.br/josemarti_rj/textos/Michael_Moore_Cuba.pdf
http://gladiator.historia.uff.br/nec/textos/text14.pdf
http://www.historia.uff.br/nec/Cuba%20no%20xadrez.htm
http://revistas.ufg.br/index.php/atelie/article/view/3891
http://redalyc.uaemex.mx/redalyc/pdf/238/23801204.pdf
http://www.santiagodantassp.locaweb.com.br/br/arquivos/nucleos/artigos/Marcos2.pdf

http://www.santiagodantassp.locaweb.com.br/br/arquivos/defesas/marcos.pdf
http://www2.uel.br/grupo-pesquisa/gepal/terceirogepal/tadzio.pdf
http://bibliotecavirtual.clacso.org.ar/ar/libros/hegemo/pt/HartDavalos.rtf
http://www.bocc.ubi.pt/pag/santanna-francisco-america-latina.pdf