sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

América Latina - BOLÍVIA

Sem dúvida alguma a Bolívia é um dos países mais pobres da América Latina, ao menos da América do Sul. Por outro lado, também, é um dos países onde é possível observar uma das maiores resistências à submissão do modelo moderno colonial imposto pelos espanhóis. Os traços marcantes de costumes e tradições de uma maioria populacional camponesa e indígena, faz com que a homogeneização cultural e a padronização do consumo não sejam predominantes nas cores, hábitos e modos de vida dos bolivianos. A história política da Bolívia é marcada por revoltas e por levantes populares que enfrentam governos que colocam em questão os direitos do povo.
A herança e hegemonia indígena e camponesa trás no bojo da cultura boliviana uma das mais polêmicas práticas sociais e culturais daquele país: a plantação e o consumo da folha de coca. Base de sustento de um grande número de famílias e tradição antiga naquele país, a plantação da folha de coca é muito questionada, principalmente, pelos EUA, por ser matéria-prima para a produção de cocaína. Entretanto, a mesma folha é utilizada para a fabricação de refrigerantes como a cola-cola, e pelos indígenas e camponeses para amenizar os efeitos da altitude e do ar rarefeito nas maiores cotas altimétricas da cordilheira dos Andes.
O papel social da folha de coca é tão importante que permitiu o surgimento de um movimento liderado pelos plantadores, conhecidos como cocaleros. Sempre ativos no cenário social e político da Bolívia os cocaleros conseguiram o máximo de sua representatividade ao eleger Presidente da República Evo Morales. Segundo a Wikipédia, "Juan Evo Morales Ayma (Orinoca, Oruro, 26 de Outubro de 1959) é o atual presidente da Bolívia e líder do movimento esquerdista boliviano cocalero, uma federação de agricultores que tem por tradição o cultivo de coca para atender um costume milenar da nação que é mascar folhas de coca. Evo Morales notabilizou-se ao resistir os esforços desenvolvidos pelo governo dos Estados Unidos da América na substituição do cultivo de coca na província de Chapare por bananas originárias do Brasil. Morales é também líder do partido Movimento para o Socialismo (MAS em língua castelhana) - IPSP (Instrumento Político pela Soberania dos Povos). De origem ameríndia, da etnia aymará, é, junto com Felipe Quispe, um dos indígenas mais famosos da história atual do seu país.Nas eleições presidenciais bolivianas de 2002 Morales ficou em segundo lugar, colocação surpreendente face ao panorama político do país, dominado pelos partidos tradicionais. Nas eleições de Dezembro de 2005 porém, venceu com maioria absoluta, tornando-se o primeiro presidente de origem indígena. Assumiu o poder em 22 de Janeiro de 2006 como o primeiro mandatário boliviano a ser eleito Presidente da República em primeiro turno em mais de trinta anos. Morales é um admirador da ativista indígena guatemalteca Rigoberta Menchú(prêmio nobel da paz em 1992) e de Fidel Castro, este último pela oposição à política norte-americana. Morales propõe que o problema da cocaína seja resolvido do lado do consumo, pois o cultivo da Coca é um património cultural dos povos andinos e parte inseparável da cultura boliviana e sua proibição não pode ser feita através de uma simples regulação estabelecida por uma convenção externa".
Dentre as medidas mais polêmicas do governo de Evo Morales, está a nacionalização do gás natural, principal recurso da Bolívia, que acabou gerando um abalo geopolítico com o governo brasileiro. Isso se deu devido ao fato de tropas do exército boliviano tomares refinarias da Petrobrás e mandarem de volta ao Brasil os trabalhadores da empresa.
Evo Morales apresenta grande afinidade com o presidente venezuelano Hugo Chavez, com quem mantém estreitas relações diplomáticas. Com discursos ásperos contras as iniciativas estadunidenses sobre o continente latinoamericano, junto com Cuba são os mais declarados oposicionistas das políticas globais dos EUA para América Latina, como a ALCA (Área de Livre Comércio das Américas). Essa postura muitas vezes coloca em xeque o governo petista de Lula, pois o mesmo que sempre foi uma referência da classe trabalhadora vem seguindo a risca o receituário do FMI e do Banco Mundial, mas também, adota uma postura diplomática com relação aos vizinhos Bolívia e Venezuela.
O autor Nelson Bacic Olic, em sua proposta de regionalização da América do Sul, considera a Bolívia e o Paraguai com formadores do que chamou de "Região Interior", por não terem saída para o mar. Essa situação mantém uma certa tensão com o Chile, que tomou a única saída para o Oceano Pacífico da Bolívia, na Guerra do Pacífico. A Guerra do Pacífico foi um conflito ocorrido entre 1879 e 1881, confrontando o Chile às forças conjuntas da Bolívia e do Peru. Ao final da guerra o Chile anexou ricas áreas em recursos naturais de ambos os países derrotados. O Peru perdeu a província de Tarapacá e a Bolívia teve de ceder a província de Antofagasta, ficando sem saída soberana para o mar, o que tornou-se uma área de fricção na América do Sul, chegando até os dias atuais, e que é para a Bolívia uma questão nacional (a recuperação do acesso ao oceano Pacífico consta como um objetivo nacional boliviano em sua atual constituição).
Com relação aos aspectos físicos, a Bolívia é um país sem litoral. O ocidente da Bolívia está situado na cordilheira dos Andes, com o pico mais elevado, o Nevado Sajama, a chegar aos 6542 metros. O centro do país é formado por um planalto, o Altiplano, onde vive a maioria dos bolivianos. O leste do país é constituído por terras baixas, e coberto pela floresta úmida da Amazônia. O lago Titicaca situa-se na fronteira entre a Bolívia e o Peru. No ocidente, no departamento de Potosi, encontra-se o Salar de Uyuni, a maior planície de sal do mundo. A região Oriente, a norte e leste, compreende três quintos do território boliviano, é formada por baixas planícies de muitos rios e grandes pântanos. No extremo sul localiza-se o Chaco boliviano, pantanoso na estação chuvosa e semi-desértico nos meses de seca. A nordeste da bacia Titicaca visualizam-se montanhas extremamente altas de 3.000 a 6.500 metros. Notamos que as montanhas de mais altitude caem em ângulos praticamente retos até se transformarem em planícies. Os Andes atingem a Bolívia e se dividem em duas grandes cadeias, a Oriental e a Ocidental. Nota-se que a cordilheira Ocidental é formada por vulcões inativos ou extintos, e suas rochas são formadas de lava vulcânica petrificada. Possui uma altitude de 3.700 metros, com 800 quilômetros de comprimento e 130 de largura. A cordilheira Oriental é composta de diversos tipos de rochas e areia.

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Bibliografia disponível no CEFET Campos

CAMARGO, Alfredo José Cavalcanti de. Bolívia : a criação de um novo país a ascensão do poder político autóctone das civilizações pré - colombianas a Evo Morales. Brasília: Fundação Alexandre de Gusmão, 2006. 352 p.
ROCHA, Maurício Santoro; CÂMARA, Marcelo Argenta; SEGABINAZZI, Alessandro. Bolívia : de 1952 ao século XXI. Brasília: FUNAG, 2006. 154 p. (Coleção América do Sul).
GALEANO, Eduardo H. As veias abertas da América Latina . 36 ed. São Paulo: Paz e Terra, 1994. 307 p.
FREYRE, Gilberto. O brasileiro entre os outros hispanos. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1975. lxi, 161 p., il. (Colecao documentos brasileiros : v.168).
BARBOSA, Alexandre de Freitas. A independência dos países da América Latina. São Paulo, 1997. 47 p., il(algumas colors.)(Que história é essa?).
OLIC, Nelson Bacic. Geopolítica da América Latina . São Paulo: Moderna, 1992. 96 p, il. , 21cm. (Coleção polêmica).
CASANOVA, Pablo González. Exploração, colonialismo e luta pela democracia na América Latina. Prefácio de Marcos Roitman Rosenmann; tradução de Ana Carla Lacerda. Petrópolis, RJ: Vozes, 2002. 318p.

Bibliografia sugerida para consulta

HAGE, José A. A.
Bolívia, Brasil e a guerra do gás. Curitiba: Juruá, 2007. 221p.
GUEVARA, Che. O diário do Che na Bolívia. Rio de Janeiro: Record, s/d. 238p.
CASTRO, Moacir W. de.
O libertador: a vida de Simón Bolívar. Rio de Janeiro: Rocco, 1998. 227p.
PERICAS, Luiz B. Che Guevara e a luta revolucionária na Bolívia. São Paulo: Xamã, 2008. 238p.
KLEIN, Hebert S.
Bolívia: do períodopré-incaico à independência. São Paulo: Brasiliense, 2004. 80p.
ANDRADE, Everaldo de Oliveira.
Revoluções na América Latina contemporânea: México, Bolívia e Cuba. São Paulo: Saraiva, 2000. 48p.
COSTA NETO, Canrobert.
Políticas agrárias na Bolívia (1952-1979): reforma ou revolução. São Paulo: Expressão Popular, 2005. 203.

Textos disponíveis no Ciberespaço

http://www.exportaminas.mg.gov.br/pdf/CEXBolivia.pdf
http://www.fup.org.br/dieese3.pdf
http://www.fecomerciomg.org.br/pdfs/comex_estudos_bolivia_unasul.pdf
http://observatorio.iuperj.br/artigos_resenhas/historia_sem_fim.pdf
http://www.cursinhodapoli.org.br/pdfs/sala_prof/crise_do_gas_brasil_bolivia.pdf
http://www2.uel.br/grupo-pesquisa/gepal/segundogepal/marcelo%20argenta%20c%C3%A2mara%20&%20%C3%A1lvaro%20luiz%20heidrich.pdf
http://www.spg.sc.gov.br/menu/destaques/arquivos/Retatorio_de_pesquisa/Bolivia/Informacoes-gerais-Bolivia.pdf

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